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domingo, 24 de outubro de 2010

Uma Bruxa é assim: Estranha gente. (autor desconhecido para mim)

Uma Bruxa é assim: Estranha gente.

É gente de conteúdo interno que transcende as compreensões medíocres, simplórias.

É gente que tem idealismo na alma e no coração, que traz nos olhos a luz do amanhecer e a serenidade do acaso. Tem os dois pés, no chão da realidade.

É gente que ri, chora, se emociona com uma simples carta, um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago.

É gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais. Admira paisagens. Poeira traz lembranças de chão curtido de sonhos passados. Escuta o som dos ventos.

Gente que semeia, colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.

Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Gente que fala com plantas e bichos. Dança na chuva e alegra-se com o sol. Cultuam a lua como deusa e lhe faz celebrações... Eh! Gente muito estranha essas bruxas.

Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, com a mesma energia das grandes marés. Apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros. Essa gente vê o passado como referencial, o presente como luz e o futuro como meta. São estranhas as bruxas!

Da mesma forma que produzem um belíssimo visual, de elegância refinada com as raias da vaidade, se vestem como verdadeiras bruxas medievais a caminho do patíbulo, e transformam-se, permitindo-se um aspecto de velha senhora, a depender da lua e seus espíritos.  Cultuam as sagradas tradições como forma de perpetuar as leis que regem o universo e passam de geração para geração a fonte renovadora de sabedoria milenar.

São fortes e valentes, ao mesmo tempo humildes e serenas. São leoas e gatinhas, são muito estranhas as Bruxas.

São aventureiras e criam raízes, dançam roca, valsa e polia, danças sagradas e inventam o que precisa ser inventado. Criam e recriam. Contam contos e histórias de fadas e carochinha, contam suas próprias histórias...
Interessante essa gente, essas bruxas.
Obrigam-se tarefas, de evoluir, de amar e dividir... falam de desapego em plena metrópole, em meio às tecnologias. Cantam mantras e músicas populares. Mexem com ervas e chás, são primitivas e avançadas.

Amam em esteiras e em grandes suítes, desde que estejam felizes, pois ser feliz é sempre a única condição dessa gente estranha.

É gente que compra briga pela criança abandonada, pelo velho carente, pela falta de respeito humano...

É gente que fica horas olhando as estrelas, tentando decifrar seus mistérios e sempre conseguem. Gente que lê em fundo de xícaras, em bolas de cristal, tarô, com pedras, na areia, nas nuvens, no fogo, na água... São muito estranhas! Sim, uma bruxa é assim, estranha gente!!!

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